sábado, 26 de março de 2011

hoje é sábado...

hoje é sábado e a chuva acordou na minha e nossa cidade triste do sol que falta. É sábado e não me vejo na rua. A ouvir músicas dificeis me deito entre as colchas da cama apoiando a cabeça em almofadas lisas. Beber canecas de leite e comer biscoitos fará parte deste dia cinzento, cantar sem gritar aliar-se há ao dia de hoje, menos feliz, onde a chuva vive e cai.
Com sombras e luz cinzenta é salpicada a casa atravéz de vidros molhados de pingos finos e fartos. De plantas tenho o móvel amado, estas que tornam o dia de hoje menos triste, apenas um bocadinho, pequeno.
De vozes negras encho os meus ouvidos, de alma é feito este dia, sem sol...

os dois na praia . o interesse e o desprezo .

loira e alta, apenas se dirigiu á beira-mar. Saída da esplanada do bar da praia, descalça. Dedo na boca enterrado na areia. De sal lambido de sol colhido.
Virou a cabeça para trás, rodada olhava sobre o ombro, arranhando um rapaz no horizonte pensava.
Com o vento a soprar-lhe as madeixas piscava o olho.
Desprezo o rapaz soltou, com o braço caído agarrando um copo meio vazio, de gim. Na outra mão um cigarro feio, mal enrolado, aceso. De areia entre os dedos dos pés e chapéu branco de palha baixou os óculos de sol e viu, olhando.
Ela queria, ele não.
Saiu de cena o rapaz, desinteressado. Ajoelhada a rapariga caiu na borda do mar, chorando fechou os olhos de tristeza e fugiu de si mesma, desmaiando na praia, de sol ao fundo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

. . .

nem sabe se o sol vai nascer depois

nem o campo sabe se vai colher a dor

do homem que já não sente sabor

já leu que não fez nada

sem amar a sua amada

com a garganta rija que lhe dói

na alma gelada de uma cabeça velha

que o mar não suba e caia

que as trevas não ardam em seus olhos

no amor que a febre sente

na saia do caminho de ferro

sábado, 19 de fevereiro de 2011

tanta coisa.

um dois quatro,
número de pedras no meu sapato.

fio de vela,
pavio sem fivela.

trio sem brio,
escalpe na cela.

cebola picada,
lágrima derramada.

tábua de peixe,
espinha de trigo.

espiga de peixe,
amor de umbigo.

canapé de branco,
jarra de pé.

oito sete um tres,
o beijo da ultima vez.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mesa de Pedestal:

A mesa de pedestal estava fria.
Ela tinha uma nota na carteira.
Um gancho preso á madeixa.

Pegou no copo e ficou,
em pé quieta a olhar.
Tinha os lábios no copo.

O vestido era curto,
fino e colado ao corpo.
Nos seus olhos via-se odio.

Seu rosto,
de mulher.
As pernas,
finas.

Deixou cair o braço,
enfiou a mão na carteira.
De lá tirou a nota.

No balcão a deitou,
pagou a bebida,
despejada no copo.

O copo a meio,
o gancho semi-solto,
a madeixa a fujir-lhe.

Todo o copo bebeu,
de vinho o livrou.
Cabeça leve,
corpo quente.

Caminhou de volta para a mesa.
Onde tinha a alma presa.
De lábios caiu ao chão.

De sangue cobriu a sua mão,
de desgosto lhe partiu o coração.
Ficou.

Morreu de tristeza,
ainda com a alma presa,
á mesa de pedestal.

Fria terminou,
quente começou.
Foi-se.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

numa noite de sono quente.

beira sem eira
um pé na lareira
mãos frias aquecidas ao fogo morno

lã a meus pés
cadeira de baloiço
tecido ao xadrês

um bater de dentes chato
raio de sol no vidro claro
fita de pele ao pescoço
a pedra no fundo do sapato

canhão de amor ao canto
jarra com agapanto
farinha fina de trigo
amor de coração partido

Francisco Hipólito Magalhães.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sei lá . . .

Numa cama alta pensava enquanto os bolos da lata velha eram comidos em pequenas dentadas. Atirava frases ao ar á espera que estas ficassem coladas ao tecto, insistiam em cair. Olhava á volta com medo que alguém alí estivesse, a difamar. Fazia retratos de sombras com os dedos encarcilhados do frio que havia. Gargalhadas aos pares completavam o escuro que existia. Um olho fechado outro meio aberto. A contar os cliques do relógio que o faziam cantar. Na caravana de madeira roubada na estrada.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Meu Poema Sem Nome:

Não me vou deitar,
Nem em vão me vou.
Jamais sequer deixar,
Esse amor que te cai nas mãos

Não vou tomar.
Deixa-me pensar.
Não vou olhar para ti,
Viver esse mal

Tu vens
E deitas esse amor.
Embrulha-lo no cobertor.
Tu deixar estar,
A vida assim,
E não te largas de mim.

Sabes que quero ver,
Essa pena de te ter.
Não me lembro de escolher,
Viver sem perder.

Nem sei o que é isso,
Nem sei o que pisei.
Sabes do que falo,
Não te dás a alguém.

Vem cá,
Tu chega cá.

Não fujas,
Não te vou soltar.

Fica aí se for assim,
Não queiras saber de mim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

D.

Há que deixar ir. Há que guardar lembranças e rever.

Sabemos que se foi, já mais volta. Temos de pensar, no que foi e como foi. Recordar.

Há que existir saudade. Uma saudade imensa que nunca se pode apagar. Mais uma vez, há que recordar. Olhar para fotografias, ver videos, ouvir músicas, comer chocolates, chorar, gritar, amar o passado.

Temos que superar. E temos de ler o futuro que está escrito no passado. Amar sem esquecer. Perdoar a tristeza e deixá-la partir.

Coleciona momentos um a um, e faz o futuro. Construido de memórias e amor.

WITH LOVE fhm.

<3 D.

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