quarta-feira, 14 de abril de 2010

mãe e filho:



- Mãe, acho que gosto de uma menina, ela tem cabelos loiros e grandes, tem uma cara bonita e uns olhos lindos.

- Como é que se chama?

- Não digo, tenho vergonha.

- Diz lá. A mãe não conta a ninguém. Prometo.

- Chama-se Joana, e é tão bonita.

- Gostas dela?

- O que é gostar? Não sei se gosto.

- Pensas muito nela? Gostavas de a ver mais vezes? De estar com ela mais vezes?

- Oh, não sei, eu vejo-a todos os dias, é da minha escola.

- Ah. Mas se ela não fosse da tua escola, se não a visses todos os dias, gostavas de a ver mais vezes?

- Não sei. Oh mãe, como eu a tenho sempre que quero não sei como será não ter, não é?

- Tens razão filho. A mãe acha que gostas dela. Aliás, muito dela!

- Oh mãe, tu achas?

- Sim filho.

- Oh, eu gosto dela. Que bom. Nunca gostei de ninguém, sem ser de ti mãe, mas tu não contas não é ?

- É. Eu sou mãe, é diferente. Todos os filhos gostam das mães.

- Pois. Gosto muito de ti mãe. E também gosto da Joana.
Mas pode se gostar de mais do que uma pessoa? Assim ao mesmo tempo?

- Claro que sim. O nosso coração é grande, muuuitooo grande, podes gostar do mundo inteiro. Podes gostar de quem gostar de ti, podes amar quem quiseres!

- Amar? O que é isso de amar?

- Deixa estar, a mãe explica-te amanhã. Agora dorme que amanhã tens aula de natação! Beijinhos filho, dorme bem. Amo-te.

- Ah, amas-me. Isso quer dizer que amar é o que as mães sentem pelos filhos não é?

- Sim, também é. É amar.

- Está bem mãe. Vou dormir e sonhar muito muito muito contigo e com o meu coração. Até amanhã.

- Até amanhã filho, apaga a luz, dorme bem.

Francisco H. M.

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